DEUS
No átimo do segundo em que Deus se
revela, o coração escorrega no compasso saltando um tom acima de seu ritmo. Emociona-se
o ser humano ao se saber seguro por Aquele que é maior e mais pleno. Entoa, então,
um cântico de louvor e a oração musicada faz tremer a alma do crente que, sem
muito esforço, sente Deus em si.
“Deus está aqui, Aleluia! Tão certo como o ar que eu respiro. Tão certo como o amanhã que se levanta. Tão certo como eu te falo e tu podes me ouvir...”. Recita a ladainha que afirmará a fé em Deus, representada na simbologia católica pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo.
De repente, pela brisa matinal, o ar
invade os pulmões, enchendo-os e assanhando a vida. Fecha os olhos e explora
com as narinas a fonte que renova esperanças. Arregala, em seguida, as pupilas
e o verde da mata mergulha no íntimo daquele que, distraído na matéria, não
reserva tempo a Deus. Extasiado, intui: há algo maior do que eu!
Sabe, no íntimo, que nem toda a inteligência,
da qual se gaba ter, conseguiria criar da natureza, o mais ínfimo detalhe. Receia
ferir seu orgulho e suspira a olhar o alto. Contempla o céu, as estrelas e
pensa no universo... Respira fundo e não ousa dizer que Deus existe. Mas,
sabe-se diminuto. Guarda, então, a revolta e se consola com a beleza da criação...
Do caos, da explosão, do nada... De Deus que seja! Só dele é que não é.
Escutam-se tambores e o barulho do
mar marca a melodia que impulsiona a gira! Veem-se os Espíritos dos mortos,
falam e cantam com eles... No ritual religioso, veneram ancestrais, guias e orixás,
reservando ao Poder Supremo, a mais forte adoração. Há Deus também ali.
Até onde se tem notícias, não há um
povo sobre a Terra que tenha sido ateu. Malgrada a rebeldia de alguns, o homem,
reconhecendo sua fraqueza, curva-se diante Daquele que o pode proteger. É a lei
da natureza que se apresenta como uma Lei de Adoração (O Livro dos Espíritos. Livro III – Leis Morais. Cap. II – Lei de Adoração. Objetivo da Adoração. Questões 649 a 652).
Todavia, a ignorância que ainda reina
na Terra não permite que seja Ele de todo conhecido e a imaginação humana vaga,
atrás de referências que possam explicá-Lo. Das tentativas frustradas para
entender Deus, a vaidade se arvora. Deus é rebaixado à imagem humana.
– Tolos! Não sabem eles que ainda não lhes é dada a condição de sondar a natureza íntima de Deus?! Que é preciso depurar a alma; livrar-se dos
entraves grosseiros da matéria, fazer-se puro para, somente assim, conhecer Deus?!
Segue, iludido,
o homem que “não conhecendo senão a si mesmo, se toma por termo de comparação
de tudo o que não compreende.”. Cria histórias e símbolos e, inutilmente, tenta
descrever o Incognoscível. Atestam as imagens – que pintam Deus como um velho
de longas barbas, coberto com um manto – o ridículo do ignóbil orgulho a
rebaixar “o Ser Supremo às mesquinhas proporções da Humanidade, daí a
emprestar-lhe as paixões da Humanidade.” (A Gênese. Cap. II – Deus. DaNatureza Divina. Item 10).
– Não, Deus
não é assim. Deus é mais!
Atônito, o
homem continua sua busca. Mas a inteligência rudimentar que possui não o
ajuda... E não compreender Deus afronta o orgulho humano! Ainda
mais tolo é aquele que se revolta diante de sua incompetência moral e intelectual...
Melhor seria aceitar tua sorte de imperfeito.
– Trabalha tua índole e transforma tua moral! Nasce, renasce e nasce novamente. Aprende, evolui, torna-te bom, depois, torna-te puro e conheces Deus... Até lá, usa da tua razão para ensaiar os primeiros passos até o Pai.
Sim, usa a
razão, porque o conhecimento fortalece a fé! E quando há lógica, o homem
acredita mais... Sê, contudo, humilde, para ousar a pergunta: “O que comprova a
existência de Deus?”. E responderemos, enfim que todo efeito inteligente vem de
uma causa inteligente. E para ti, “Deus não se mostra, mas se afirma por suas
obras.” (A Gênese. Cap. II – Deus. Existência de Deus. Itens 3 e 6).
Contempla,
pois, a criação... Da abelha com o zangão, do girassol que acompanha o sol a
nascer e a se por. Da chuva que cai garoa ou tempestade. Do manso mar que se
revolta para ser calmaria novamente. Do animal que voa ao que rasteja, da pequenina
formiga ao gigante elefante. Da medonha tarântula ao delicado coala... Do feto
que se torna homem, que se torna mulher; que vira gente e faz inventos e
descobre coisas.
– Verás
Deus, mesmo sem saber explicá-Lo. Porque é Ele “a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.” (O Livro dos
Espíritos. Livro I – As Causas Primeiras. Cap. 1 – Deus. Deus e o Infinito. Questão 01).
Ousa ir mais longe! Ensaia conhecer
Deus pelo raciocínio, estima Sua essência pelos atributos que só a Ele
pertencem. Reconhece, primeiro, que Deus é soberano e O concebe no infinito das perfeições. Acata Deus como Eterno, Imutável, Imaterial, Único, Todo-poderoso e Soberanamente bom e justo.
– Agora,
entendendo que somente Deus é assim, usa do teu livre arbítrio e faz a escolha
mais inteligente e lógica: dedica-te a viver em Deus! Aprende a amá-Lo acima de
tudo e de todos. Ama os teus e os outros Nele... Ou então, segue pelas escolhas
de um bem menor.

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