A Mecânica da Psicografia
O
texto que segue foi escrito, por inspiração mediúnica. À época, meus estudos sobre o fenômeno eram parcos e o impulso por escrever foi mais forte do que aquele que me envolve quando escrevo por iniciativa própria. Não foi, portanto, assinado e nem tivemos condições de identificar o Espírito comunicante que
inspirou a escrita. Mas, há uma boa reflexão sobre o fenômeno da psicografia,
tanto sobre a intuitiva como sobre a mecânica.
A fluidez da escrita psicográfica sofre variáveis
importantes, que interferem no processo e no resultado final, especialmente, no
que tange a legibilidade da letra, velocidade no escrever e até mesmo no envio
de mensagens completas e coerentes. Parte dessas variantes está intrinsecamente
ligada ao médium que precisa atentar-se ao momento da expressão do fenômeno, quando,
para acontecer, vai-se exigir do psicógrafo que este ceda lugar à manifestação
de uma outra inteligência que não a sua. Nesse sentido, a mecânica da
psicografia perpassa o intelecto dos envolvidos: médium e comunicante
desencarnado (e em muitos casos ainda é possível a presença de uma terceira
inteligência referente à de Espíritos que auxiliam na comunicação).
Para quem observa o fenômeno da psicografia, acompanhará, a princípio, as questões motoras, próprias do ato de escrever. Mas, em uma escrita inteligente, é crucial o
raciocínio para que se tenha uma criação intelectual.
Raciocínio este que deve ser, sobremaneira, do Espírito comunicante sob pena de
se descaracterizar o fenômeno espírita, chamado hoje em dia,
de fenômeno mediúnico. Para tanto, o médium precisa se desprender das amarras das
ideias e conceitos previamente formados, devendo ainda resistir ao impulso de
questionar o texto enquanto o recebe.
Embora aconteça certo apassivamento no processo psicográfico, é imprescindível considerar a presença da intelectualidade do médium escrevente, a alma do médium também ali está. Ele não se anula por completo. Nem mesmo na psicografia mecânica, encontra-se um estágio de passividade plena. Afinal, a habilidade e a familiaridade do médium no pegar o lápis ou a caneta para escrever interferem na destreza para se acompanhar, fisicamente, o ritmo intenso do pensamento do Espírito que elabora a mensagem e escreve pela ligação fluídica perispiritual.
Embora aconteça certo apassivamento no processo psicográfico, é imprescindível considerar a presença da intelectualidade do médium escrevente, a alma do médium também ali está. Ele não se anula por completo. Nem mesmo na psicografia mecânica, encontra-se um estágio de passividade plena. Afinal, a habilidade e a familiaridade do médium no pegar o lápis ou a caneta para escrever interferem na destreza para se acompanhar, fisicamente, o ritmo intenso do pensamento do Espírito que elabora a mensagem e escreve pela ligação fluídica perispiritual.
Ademais, mesmo quando se acredita não pensar, durante a psicografia mecânica, existem ideias
na constituição do inconsciente que permanecem latentes. Além de uma memória que pode, em unidades de
tempo imperceptíveis à consciência, ser acionada; inclusive por estímulos
externos, como sons e cheiros no ambiente. Bem como, existem reações sinápticas
habituais em cada cérebro, que são consequências das áreas costumeiramente mais
ativadas pelo indivíduo que é médium, em sua maneira de lidar com as situações
cotidianas. Muito embora, já se constate que a psicografia mecânica aciona áreas
distintas às que são ativadas quando se raciocina para escrever, para criar.
Diante disso, o treino é fundamental ao psicógrafo, que deve exercitar a escrita. O treinamento, contudo, não tem como objetivo ensinar ou condicionar o médium a técnicas de escritas, nem tampouco pode ser usado para forçar a encenação da manifestação mediúnica. Exercitar a escrita mediúnica – variando a velocidade no ato, fortalecendo e acostumando a musculatura, para "soltar a mão" – deve ser feito de maneira comedida e sempre com orientação fraterna, oriunda de amigos encarnados e desencarnados.
Se o médium escrevente mecânico precisa soltar a mão, o intuitivo necessita o exercício de deixar a mente livre para que ela capte o pensamento do Espírito. No último caso, não se pode ignorar que existe o risco de a própria mente do médium pregar-lhe uma peça, mesmo entre aqueles de boas intenções. Por isso, o estudo torna-se imprescindível a todos os envolvidos.
Diante disso, o treino é fundamental ao psicógrafo, que deve exercitar a escrita. O treinamento, contudo, não tem como objetivo ensinar ou condicionar o médium a técnicas de escritas, nem tampouco pode ser usado para forçar a encenação da manifestação mediúnica. Exercitar a escrita mediúnica – variando a velocidade no ato, fortalecendo e acostumando a musculatura, para "soltar a mão" – deve ser feito de maneira comedida e sempre com orientação fraterna, oriunda de amigos encarnados e desencarnados.
Se o médium escrevente mecânico precisa soltar a mão, o intuitivo necessita o exercício de deixar a mente livre para que ela capte o pensamento do Espírito. No último caso, não se pode ignorar que existe o risco de a própria mente do médium pregar-lhe uma peça, mesmo entre aqueles de boas intenções. Por isso, o estudo torna-se imprescindível a todos os envolvidos.
Outro elemento a se considerar é a sutileza que separa o
pensamento do médium – cuja intuitividade
e potencialidades de sua alma encontram-se latentes durante o transe –, das ideias oriundas do
Espírito comunicante. Esse fio tênue, apesar de bem mais débil na psicografia
intuitiva quando a consciência do médium, por conseguinte sua capacidade de
raciocínio, está mais desperta, ele também deve ser considerado na psicografia mecânica.
Mais uma vez, a prática da psicografia, associada à observação in locus do fenômeno e a posterior verificação do conteúdo das comunicações aparecem como estratégias no auxílio de se obter manifestações autênticas. E novamente, não se pode prescindir do trabalho honesto e colaborativo entre médiuns e pesquisadores.
Mais uma vez, a prática da psicografia, associada à observação in locus do fenômeno e a posterior verificação do conteúdo das comunicações aparecem como estratégias no auxílio de se obter manifestações autênticas. E novamente, não se pode prescindir do trabalho honesto e colaborativo entre médiuns e pesquisadores.
Também é necessário observar o estado emocional e as
características da personalidade do médium. Ansiedade, insegurança, nervosismo,
impulsividade, arrogância, vaidade, perspicácia, incredulidade, falta de
autoconfiança ou supervalorização da autoestima são exemplos de emoções e
traços psicológicos, da alma do médium, atuantes diretamente durante o fenômeno espírita. Se não controlados, podem facilmente aumentar o nível de manifestação
anímica, descaracterizando a originalidade da comunicação inicial e falseando sua
autenticidade.
Por fim, mas tão importante quanto, a autovigilância do
médium é condição basilar para que a psicografia traga não somente comunicações
autênticas, mas boas comunicações. Em outras palavras, que tragam mensagens edificantes que alcancem o propósito divino quando nos
foi permitida a comunicabilidade entre Espíritos e almas: nossa transformação moral. Somente o médium sabe
o que carrega em seu íntimo, por mais que tente ludibriar-se, sua consciência,
cedo ou tarde, revela-lhe a farsa, como um duro golpe em sua moral. Por isso, o esforço de se melhorar moralmente é individual, muito embora, possamos nos ajudar mutuamente.
Entretanto, sem decair a responsabilidade daquele que se
propôs a ser um instrumento de mediação entre os planos terreno e espiritual,
há um alento diante do desafio de esforçar-se para se transformar moralmente e alcançar o
concurso dos bons Espíritos quando da tarefa mediúnica. Este alento é o apoio
fiel daqueles que tomaram para si a missão de nos orientar na psicografia ou em
qualquer outra manifestação da mediunidade; aqueles que são mais do que guias.
São amigos espirituais. Só precisamos nos achegar deles.

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