Vida coletiva na evolução do Espírito


Para os Espíritos, os problemas sociais são uma questão moral, pois eles dizem que são o orgulho e o egoísmo humanos os causadores das desigualdades sociais. Desse modo, precisamos combatê-los. A questão que se coloca, então, é: como combater o orgulho e o egoísmo?


A vida em sociedade (uma lei moral) nos impele ao convívio coletivo e os objetivos da encarnação (alcançar a perfeição e contribuir para a obra de Deus) também. Mas nem o orgulho e nem o egoísmo se mudam coletivamente... A mudança tem que acontecer na alma para que reflita em nossos atos e por conseguinte, em nossa maneira de viver em sociedade... Voltamos novamente à questão inicial sobre como combater o orgulho e o egoísmo .

Para combater tal vício, é necessário o esclarecimento, de nossas consciências, sobre as leis divinas. Esclarecimento este que perpassa o desenvolvimento do intelecto e da moral, a partir da educação. Como se fala em aprendizado, há um forte componente individual, haja vista termos dinâmicas e ritmos de aprendizados distintos e exclusivos. Pode até haver semelhanças na maneira de construirmos o conhecimento, mas nesse processo, há sempre a particularidade do indivíduo que aprende. A partir deste raciocínio, pode-se concluir que, sendo o aprendizado individualizado e a mudança íntima, a evolução do Espírito se daria por seu esforço. Uma conclusão lógica.

Todavia, a educação proposta por Kardec apresenta-se como um conjunto de (bons) hábitos adquiridos na vida cotidiana, através das reflexões sobre o vivido. Educação, portanto, une-se
à cultura. Traz em sua base as experiências de vida - e não se vive sozinho.

No contato com o outro, o indivíduo se reconhece. É pela diferença, por saber que ele não é o outro, que ele sabe de si. É diante dessa relação que ele, também, encontrará identificações e vivenciará conflitos. Será afetado e afetará o outro, que se apresenta como um indivíduo distinto dele. Mas que também pode ser representado pelas outras tantas formas de vida (vegetal e animal) e até pelas coisas inanimadas.

Desse modo, a vida coletiva é o ambiente em que o indivíduo experiencia as maravilhas e vicissitudes do viver. Certamente, pela lei de causa e efeito, vive ele provas e expiações apropriadas ao seu momento evolutivo. Voltamos, novamente, à condição do indivíduo e à pergunta inicial sobre o combate ao orgulho e ao egoísmo, que já vislumbramos ter em sua estratégia a educação.

Além do ciclo vivenciar-refletir-vivenciar que nos permite a construção de conhecimentos, Kardec propõe que o amor mova as atitudes humanas, inclusive, os processos de aprendizagem. Sua Pedagogia é do Amor, como fonte que impulsiona a vida, ampara-se na maior lei moral que encerra todas as leis morais: a lei da justiça, amor e caridade.

Não se pode esquecer isso sob pena de esvaziarmos os aprendizados, restringindo-os às questões do intelecto. Porquanto, afastando-nos do objetivo de nossa existência terrena que é alcançar a perfeição do Espírito, entendida como a compreensão plena (e vivenciada) das leis divinas, ou seja, das leis morais.

Nesse sentido, todas as experiências vividas durante a encarnação podem servir como instrumento de reflexões que nos levem a mudanças morais, tendo em vista o aniquilamento de nossos vícios, entre eles, as duas grandes chadas da humanidade: o orgulho e o egoísmo. Precisamos estar dispostos a aprender e disponíveis a contribuir ao aprendizado do outro e a receber auxílio em nossa aprendizagem.

Assim, cada existência humana é importante, posto ter ela ressonância na vida coletiva, melhor, na criação de Deus. Por fim, tenha o indivíduo orientado sua vida a um cotidiano mais particular ou optado por uma intervenção mais coletiva não será esta escolha que definirá seu êxito. Mas, seu propósito no bem e suas escolhas que regerão sua vida.

Desse modo, tornam-se infrutíferas, desgastantes (e até paralisantes) as discussões sobre se o espírita deve ou não envolver-se, mais diretamente com a política. Tais debates - estejamos de que lado for - parecem motivar uma guerra de egos inflamados, alimentada pelo orgulho de quem quer comandar o livre pensar do outro.

Sigamos nossa caminhada, trilhando nossos passos e nos amparando uns aos outros quando o objetivo for fazer o bem.
Sigamos.
Deus é conosco!

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