Causa e efeito nas atitudes humanas



Deus nos criou Espíritos simples e ignorantes, mas dotados de inteligência, raciocínio e de uma consciência moral que nos impele ao bem, quanto mais evoluída ela for... Aí, está a base da Lei de Igualdade, ensinam-nos os Espíritos. Temos todos, portanto, condições de galgar a escada evolutiva para alcançar a perfeição quando o equilíbrio entre o intelecto e a moral no bem estiver estabelecido, permitindo-nos um encontro pleno com Deus; o conhecimento da Verdade.



Também nos foi dado o livre arbítrio que se guia pelo livre pensar, ou seja, pela liberdade de consciência. Mesmo em governos ditadores, o pensamento resiste em liberdade... Afinal, entre nós habitantes corpóreos da Terra, o pensamento é um reduto íntimo, individual e inviolável. Nenhum ser humano – no imperfeito estado evolutivo em que nos encontramos – consegue decifrar por completo o que outro homem carrega em seu espírito.

Tais atributos, a nós concedidos, cobram-nos a responsabilidade sobre nossas escolhas ao passo que nos permitem construir nossa autonomia. Somos, pois, os principais responsáveis pelas condutas que assumimos, através de pensamentos, sentimentos, palavras ou ações. Há, portanto, mérito quando, através de esforços próprios, avançamos no bem. Do mesmo modo, é demérito nosso quando nos desviamos.

Por conseguinte, cai por terra a ideia de heteronomia – tão propagada por indistintas religiões que se valeram de tal ideia para subjugar fiéis e fortalecer o assujeitamento quando são concedidas a outrem as rédeas de nossas vidas, os julgamentos de nossas escolhas... O Espiritismo vem defender a Lei de Causa e Efeito e nos chamar à responsabilidade sobre nossas ações.

Mas, seríamos os únicos responsáveis por nossas escolhas?! 
O principal responsável sim, o único, não.

Pela Lei de Sociedade, o homem necessita da vida coletiva para aprender a lidar consigo e com os outros. O meio influencia na construção do conhecimento, haja vista ser no ambiente que observamos e vivenciamos experiências que impulsionam aprendizados. E a recíproca também é verdadeira, pois ajudamos a construir o meio em que vivemos. Assim, em certa medida, somos também responsáveis pelos outros.

Na Terra, especialmente, sofremos ainda influência constante dos Espíritos. Com boas ou más intenções, eles regem nossas vidas muito mais do que possamos imaginar. Afinal, o livre arbítrio é diretamente proporcional ao estado evolutivo do ser. Em outras palavras, quanto mais nos apropriarmos das leis divinas, mais livres estamos para decidir nossos destinos.

Por conseguinte, a Lei de Causa e Efeito não pode ser aplicada mecanicamente, como somente fruto da atuação de duas forças isoladas – de ação e de reação. Existem contextos espirituais, culturais e históricos; diversos estados evolutivos e distintos ritmos de aprendizados; intenções nossas e dos outros... Tudo a influenciar. Daí, o dolo e o atenuante a interferirem também nas causas e nos efeitos de tudo que acontece em nossas vidas.

Compreender isso não é anular a ideia de autonomia. Pelo contrário! É valorizá-la como uma construção ininterrupta. Um processo árduo, porém, belo, que se firma na dialética entre o indivíduo e o coletivo.  

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