O Livro dos Médiuns
O Livro dos Médiuns, publicado em
janeiro de 1861, é o Guia dos Médiuns e dos Evocadores (como está subscrito no
título). Mas, sendo as manifestações dos Espíritos parte da nossa natureza,
qual o objetivo de se ter um livro que orienta o desenvolvimento da mediunidade
e a conduta daqueles que observam e/ou interagem com o fenômeno?
Ao longo da história da humanidade, acumulam-se os relatos sobre manifestações dos Espíritos – nomeadas de diferentes formas, conforme a compreensão que se tem delas. Para o Espiritismo, tal fenômeno, visto como da natureza, tornou-se parte do seu objeto de estudo. Haja vista a Ciência Espírita ter como objetivo entender o mundo desses seres incorpóreos e a relação destes com o ser humano; para assim, compreender o sentido e a finalidade da existência humana e sua relação com Deus. Acreditamos que tal compreensão nos ajudará a galgar nosso caminho evolutivo no bem, para alcançarmos, assim, a verdadeira felicidade e a paz, acessíveis somente àqueles que conhecem a verdade, ou seja, àqueles que compreendem Deus.
Se já não bastassem os
relatos sobre as manifestações dos Espíritos, o Espiritismo comprovou a
existência destes, através da elaboração teórica que nos levou à dedução lógica
da existência desses seres inteligentes, e da observação e estudo sistemático
do fenômeno em si que nos trouxeram provas cabais. Tal resultado retirou – apesar
da relutância de muitos – o véu de misticismo, do fantástico e do maravilhoso
que ofusca a existência e as manifestações dos Espíritos. Os estudos da Ciência
Espírita, iniciados por Allan Kardec, também assinalaram a derrocada do
pensamento materialista que limita o ser humano à vida orgânica, por renegar a
existência dos Espíritos.
Para muitos, é desejo,
bem comum, comunicar-se com os Espíritos, especialmente, com aqueles a quem
estamos ligados por laços afetivos. Contudo, não é raro que ocorram decepções
diante das manifestações. Recomenda-se, pois, que se conheçam os princípios basilares
da Doutrina Espírita, sendo O Livro dos Espíritos a obra fundante; como
prevenção a possíveis frustrações. Visto que não basta ser médium para lograr
uma comunicação a contento, em outras palavras, uma comunicação com a qual
possamos tirar lições morais às nossas existências. É necessário conhecer o
Espiritismo, pois este se apresenta como eficaz instrumento para não somente
compreendermos e tirarmos proveito de toda a magnitude do fenômeno espírita,
mas também para obter boas comunicações.
Encarar assim o fenômeno
espírita é uma maneira de sermos gratos e honrarmos Deus, que, tão
misericordiosamente, permite-nos a oportunidade de constatarmos nossa
imortalidade quando presos à carne, através da faculdade mediúnica. O Livro dos
Médiuns tem, pois, este objetivo. Não traz, entretanto, receita pronta àqueles
que almejam desenvolver-se como médium, pois a mediunidade se apresenta de
maneira peculiar em cada indivíduo. Ademais, o desenvolvimento mediúnico se dá
pelo esforço daquele que se pretende bom médium.
O Livro dos Médiuns é,
ainda, um alerta à seriedade necessária à prática espírita. Do contrário,
corremos o risco de nos desviarmos do objetivo primeiro que é a melhora moral.
Diante disso, Kardec nos alerta: "De muitas dificuldades se mostra içada a prática do Espiritismo e nem sempre isenta de inconvenientes a que só o estudo sério e completo pode obviar.". Nesse sentido, o diálogo com os
Espíritos é importante posto ser o laboratório do mundo invisível, mas o
caráter filosófico do ensinamento dos Espíritos é a fundamentação que
necessitamos para efetivar o processo de transformação moral.

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